Falar sobre ansiedade e angústia exige olhar para o nosso tempo. Afinal, como desenvolver uma reflexão sobre a ansiedade hoje, sem compreender que os ciclos são cada vez mais curtos e que a novidade deixa de ser novidade a todo instante? Ou seja, passamos a nos relacionar a partir de uma pressão por fazer — e consumir — cada vez mais, o que transforma a nossa relação com o tempo.

Por que a ansiedade é uma expressão da angústia?

Na perspectiva existencial, a ansiedade costuma ser a face visível de uma angústia mais profunda. Os organizadores de Sartre Hoje, por exemplo, descrevem esse círculo:

“De certo modo, o comportamento ansioso, que era sintoma de angústia diante do futuro, está, numa espécie de círculo perfeito, a tornar-se, ele mesmo, etiologia de angústia.”

CASTRO, Fábio C. L.; NORBERTO, Marcelo S. (Orgs.), Sartre Hoje

Não há como fugir da angústia. Como lembra Sartre, “é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade”. Portanto, ela não é um defeito a corrigir, mas o modo como percebemos que somos livres — e responsáveis — diante das escolhas.

“A profundidade de sua responsabilidade por toda a humanidade, com frequência, leva o homem a desenvolver estratégias que o auxiliem a suportar sua angústia.”

CASTRO, Fábio C. L.; NORBERTO, Marcelo S. (Orgs.), Sartre Hoje

Esse peso, portanto, nos leva a buscar formas de tornar a existência mais suportável e, quando possível, mais leve.

Como olhar para a ansiedade e recomeçar?

E chegamos a um ponto crucial. Olhar para a ansiedade, na verdade, passa por descrever a angústia vivida e reconhecer a existência que se constrói a partir das próprias escolhas. Dessa forma, podemos compreendê-la como uma expressão da angústia, que envolve também o corpo e o comportamento.

Assim, olhar para a ansiedade nos convida a descobrir novas formas de existir no mundo. Não se trata de silenciá-la, mas de escutá-la com cuidado — de preferência, com o apoio de um espaço terapêutico.

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