Você já teve a sensação de estar apenas cumprindo um papel — o filho ideal, a profissional impecável, a pessoa que nunca decepciona — mesmo quando isso custa quem você realmente é? O filósofo Jean-Paul Sartre deu um nome a esse movimento: má-fé. Compreender a má-fé em Sartre ajuda a perceber quando estamos vivendo para as expectativas dos outros e, aos poucos, nos afastando de nós mesmos.

O que é má-fé em Sartre?

A má-fé (em francês, mauvaise foi) é, no existencialismo de Sartre, a tentativa de escapar da própria liberdade e da responsabilidade que vem com ela — fingindo, para si mesmo, que não temos escolha. É quando nos escondemos atrás de um papel social (“eu sou assim mesmo”, “não tinha o que fazer”, “é o meu dever”) para não encarar que, a cada momento, estamos escolhendo quem somos.

Para Sartre, somos “condenados a ser livres”: não existe um roteiro pronto que decida nossa vida por nós. A má-fé é, então, uma forma de autoengano — um alívio momentâneo diante da angústia de ter que escolher.

Como a má-fé aparece no dia a dia

Ela raramente se anuncia com clareza. Costuma se disfarçar de “jeito de ser” ou de obrigação. Alguns exemplos comuns:

Por que fugimos da nossa liberdade?

Porque escolher é assustador. Cada escolha nos torna responsáveis — e essa responsabilidade dá vertigem. A má-fé oferece um refúgio: se “eu não tinha alternativa”, então não preciso lidar com o peso do que escolhi. O problema é que esse alívio é ilusório. Ao negar a liberdade, também deixamos de viver a vida que é, de fato, nossa. É comum que esse afastamento apareça depois como ansiedade, vazio ou a sensação de estar no “automático”.

O caminho de volta: autenticidade

O oposto da má-fé não é a perfeição, e sim a autenticidade: assumir que você é livre e responsável, mesmo diante de limites reais. Não se trata de fazer escolhas grandiosas, mas de reconhecer, no cotidiano, onde você tem se escondido atrás de papéis — e experimentar responder por si. A psicoterapia de abordagem existencial é justamente um espaço para olhar para isso sem julgamento: perceber quem você tem sido e quem deseja ser.

Perguntas frequentes

Má-fé é o mesmo que mentira?
Não. Na mentira, engano outra pessoa sabendo da verdade. Na má-fé, engano a mim mesmo — finjo não ter escolha para não encarar minha liberdade.

Viver em má-fé é um defeito de caráter?
Não. É um movimento humano e muito comum, uma forma de aliviar a angústia de existir. O convite não é se culpar, mas ganhar consciência disso.

A terapia ajuda a sair da má-fé?
Sim. A psicoterapia existencial ajuda você a reconhecer onde tem terceirizado suas escolhas e a retomar a autoria da própria vida, no seu tempo.

Vamos conversar?

Se algo aqui ressoou em você, saiba que não precisa atravessar isso sozinho(a). Sou Malu Mendes, psicóloga (CRP 12/15483) de abordagem existencial, e atendo presencialmente no centro de Florianópolis e online. A terapia é um espaço para você compreender o que sente e voltar a escolher a própria vida.

👉 Agendar minha sessão pelo WhatsApp

Fontes: Sartre, J.-P. O Ser e o Nada e O Existencialismo é um Humanismo; Existencialismo e psicologia: um ensaio sobre a liberdade (PePSIC).

Leia também


Se algo aqui fez sentido para você, talvez seja hora de olhar para isso com mais cuidado.

Conheça meu trabalho